Archive for the ‘Religião’ category

“O Senhor Jesus de Alvor” (Lenda)

Junho 13, 2010

A lenda “O Senhor Jesus de Alvor” fala-nos de um povo de uma terra pesqueira (Alvor – situada no barlavento algarvio, vizinha de Portimão) que foi agraciado por uma oferta muito especial de Deus.

A história passa-se na costa de Alvor, nos meados do século XVIII.

Um dia, os pescadores desta terra vêem um caixão  que balouça, ao longe, no cimo das ondas… O caixão chega à beira-mar e encalha na praia.

Os pescadores descobrem, atónitos, que, dentro do caixão se encontra uma doce imagem de Jesus crucificado, e, no fundo, uma inscrição com os dizeres: “Senhor Jesus – Praias de Alvor”.

Alegres e felizes com a descoberta – que consideram um presente do Céu – decidem levar a imagem para a igreja matriz, onde a colocam no altar. Tem de ser transportada por quinze homens, tal o seu peso!

Desde essa altura sucedem-se notáveis prodígios. Tantos, que os povos vizinhos começaram a invejar a imagem, e tentaram roubá-la. No entanto, (mais…)

Anúncios

HOJE CELEBRA-SE A MEMÓRIA DE SÃO LOURENÇO (mártir)

Agosto 10, 2009

São Lourenço nasceu no início do século III, em Huesca, cidade espanhola. Os seus pais, ambos cristãos, deram-lhe uma excelente educação.

São Lourenço

São Lourenço

Ainda jovem, movido por um santo zelo, foi viver para Roma em busca do centro da religião cristã. Naqueles tempos, os cristãos eram perseguidos porque se recusavam a prestar culto ao imperador e aos deuses pagãos. Isto enfurecia o imperador romano, pois ele próprio se considerava um deus.

No ano 258, o imperador Valeriano  desencadeou uma grande perseguição contra os cristãos. São Lourenço era, nessa altura, o primeiro dos sete diáconos da Igreja romana. Desempenhava uma função muito importante pois era o primeiro responsável pelas coisas da Igreja: administrava os bens da Igreja, e olhava pelos necessitados, pelos doentes, pelos órfãos e viúvas, e distribuía as esmolas dos fiéis pelos pobres.

 São Lourenço foi preso e intimado a comparecer diante de um representante do imperador, a fim de prestar contas dos bens e das riquezas que a Igreja possuía. O santo pediu um prazo para fazer isso, dizendo que entregaria tudo. Confessou que a Igreja era muito rica, e que a sua riqueza ultrapassava a do imperador. Foram-lhe então concedidos três dias para que ele mostrasse os bens e riquezas que a Igreja possuía. São Lourenço reuniu os cegos, os aleijados, os velhos, as viúvas, os órfãos, os doentes e desamparados… e compareceu diante das autoridades, dizendo que esse era o tesouro da Igreja!

Indignado, o governador destinou-o a um suplício especialmente cruel: amarrado sobre uma grelha, foi assado vivo, lentamente, no meio dos tormentos mais cruéis, sem vacilar na Fé, mas proclamando, com alegria, o seu amor a Deus.

São Lourenço aproveitou os últimos instantes da sua vida para rezar pela conversão dos pagãos e dos perseguidores do cristianismo. E encomendou a sua alma ao Criador, ao expirar no ano 259, a 10 de Agosto, dia em que é venerado com o maior respeito e admiração por todos os católicos.

 

No Algarve, em Almancil, concelho de Loulé, uma igreja belíssima, com altar em talha dourada, foi dedicada, em 1730, a São Lourenço. Vale a pena visitá-la e apreciar os primorosos frescos que retratam episódios da vida de São Lourenço, em particular, os momentos do seu martírio.

Albert Camus – Agnóstico?

Maio 9, 2007

Livro do reverendo metodista Howard Mumma revela um Camus à procura da Fé

Albert Camus, homem inquieto que perseguiu sempre o sentido da vida, tem sido considerado um agnóstico, e falsamente apelidado de “existencialista” – apodo que ele próprio rejeitava.
A obra de Camus não é uma defesa do absurdo da existência, como se quer fazer crer, mas um grito eloquente de que o mundo só responde com o absurdo à inquietação do coração humano para encontrar o sentido da vida.

Só nos seus últimos dias terrenos Camus encontrou o verdadeiro sentido da vida.

A este propósito, saíram agora a lume as conversas que Albert Camus e o reverendo metodista Howard Mumma tiveram há 50 anos em Paris.


Publicado por editora de língua castelhana, o extraordinário testemunho de Mumma recolhe extensos e profundos diálogos com Camus, e mostra até que ponto o “existencialista” lutou para alcançar a fé que lhe desse aquilo que o mundo não lhe oferecia.

O relato deste processo de inquietação para conhecer a resposta que dá a Fé Cristã às interrogações mais profundas do ser humano, revela um escritor derrotado pelo êxito e insatisfeito pela impossibilidade de encontrar na luta política pela justiça uma solução para os problemas do mundo: “Sou um homem exausto e desiludido. É impossível viver sem sentido”.

Pelos anos cinquenta, o reverendo metodista Mumma oficiava serviços religiosos
em Paris. O literato francês frequentava esse templo para escutar o organista Marcel Dupré. Desde logo, porém, a pregação de Mumma o cativou.

Mais de quarenta anos após a morte de Camus, o nonagenário Mumma revela o segredo das suas conversas com Camus: a progressiva aproximação de Camus à Fé Cristã, ao mistério da Graça para superar a angústia da injustiça, do sofrimento e da morte – (“El existencialista hastiado”. Howard Mumma – Voz de Papel. Madrid 2005).

Camus sintetiza assim o seu itinerário espiritual com uma personagem do Evangelho: «Sinto-me totalmente identificado com Nicodemos, porque, tal como ele, não entendo bem o que queria Jesus dizer quando lhe disse que tinha de nascer de novo. Mas é isso o que eu quero, é a esse nascer de novo que eu quero comprometer a minha vida”.

Camus pretendia ser baptizado. Infelizmente, o trágico acidente de viação em que perdeu a vida impediu a concretização de tal desejo.

A despedida de Mumma y Camus terminou com a frase mais desconcertante do relato para aqueles que continuam a ver no Nobel francês um defensor do agnosticismo: “Meu amigo, vou continuar a lutar por alcançar a Fé!”