Albert Camus – Agnóstico?

Livro do reverendo metodista Howard Mumma revela um Camus à procura da Fé

Albert Camus, homem inquieto que perseguiu sempre o sentido da vida, tem sido considerado um agnóstico, e falsamente apelidado de “existencialista” – apodo que ele próprio rejeitava.
A obra de Camus não é uma defesa do absurdo da existência, como se quer fazer crer, mas um grito eloquente de que o mundo só responde com o absurdo à inquietação do coração humano para encontrar o sentido da vida.

Só nos seus últimos dias terrenos Camus encontrou o verdadeiro sentido da vida.

A este propósito, saíram agora a lume as conversas que Albert Camus e o reverendo metodista Howard Mumma tiveram há 50 anos em Paris.


Publicado por editora de língua castelhana, o extraordinário testemunho de Mumma recolhe extensos e profundos diálogos com Camus, e mostra até que ponto o “existencialista” lutou para alcançar a fé que lhe desse aquilo que o mundo não lhe oferecia.

O relato deste processo de inquietação para conhecer a resposta que dá a Fé Cristã às interrogações mais profundas do ser humano, revela um escritor derrotado pelo êxito e insatisfeito pela impossibilidade de encontrar na luta política pela justiça uma solução para os problemas do mundo: “Sou um homem exausto e desiludido. É impossível viver sem sentido”.

Pelos anos cinquenta, o reverendo metodista Mumma oficiava serviços religiosos
em Paris. O literato francês frequentava esse templo para escutar o organista Marcel Dupré. Desde logo, porém, a pregação de Mumma o cativou.

Mais de quarenta anos após a morte de Camus, o nonagenário Mumma revela o segredo das suas conversas com Camus: a progressiva aproximação de Camus à Fé Cristã, ao mistério da Graça para superar a angústia da injustiça, do sofrimento e da morte – (“El existencialista hastiado”. Howard Mumma – Voz de Papel. Madrid 2005).

Camus sintetiza assim o seu itinerário espiritual com uma personagem do Evangelho: «Sinto-me totalmente identificado com Nicodemos, porque, tal como ele, não entendo bem o que queria Jesus dizer quando lhe disse que tinha de nascer de novo. Mas é isso o que eu quero, é a esse nascer de novo que eu quero comprometer a minha vida”.

Camus pretendia ser baptizado. Infelizmente, o trágico acidente de viação em que perdeu a vida impediu a concretização de tal desejo.

A despedida de Mumma y Camus terminou com a frase mais desconcertante do relato para aqueles que continuam a ver no Nobel francês um defensor do agnosticismo: “Meu amigo, vou continuar a lutar por alcançar a Fé!”

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2 comentários em “Albert Camus – Agnóstico?”


  1. Olá! Gostei de seu blog. Deixo-lhe o convite para visitar os meus. Um sobre literatura e outro sobre catolicismo. Esteja em paz!


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