Cavaco Silva desilude

O Senhor Presidente da República prestou um mau serviço ao País. Não submeteu a lei do aborto à fiscalização preventiva do Tribunal Constitucional. Daí se ter pensado que iria exercer o direito de veto – a única atitude nobre e digna na defesa da vida, direito natural consagrado na Constituição da República Portuguesa.

A mais elementar sensatez reclamava essa tomada de posição. Mas não. O Presidente da República não vetou o diploma, antes preferiu passar mais um cheque em branco ao governo socialista. Como se estes socialistas fossem gente em que se possa confiar…
Custa a perceber como é que um homem  maduro e experimentado na política consegue ser tão ingénuo e “anjinho”…

Cavaco Silva, como é seu hábito (recorde-se os tempos dos famosos “tabus”…), quando tem de tomar decisões de peso, fica-se no silêncio, e parece mostrar tibieza e receio quando confrontado com graves questões que precisam de uma definição inicial clara, frontal e radical.
Não toma posição, e prefere colocar-se na esfíngica atitude de quem pretende aparentar sabedoria.

O Senhor Presidente, a bem da transparência e da verdade, deveria, desde logo, antes do referendo, ter deixado bem definida perante os Portugueses a sua opinião sobre tão magna questão, isto é, se era a favor ou contra o aborto. Nas grandes questões nacionais, o papel do Presidente é esse mesmo: dizer aos que o elegeram e esperam uma palavra de orientação o que pensa sobre candentes problemas nacionais. Sem medo. Com verdade. Não para agradar a gregos e troianos… –  mas para servir os superiores interesses do País.

Porém, Cavaco Silva, incapaz de dar corpo à verdade, fez como o timorato Pilatos: lavou as mãos e remeteu o problema para os outros – ou seja, promulgou uma lei que deveria ter vetado, e  deixou uma longa e confusa “mensagem” aos  deputados e aos governantes, na esperança (?!) de que estes atendam às suas avisadas recomendações… !
É mais que certo que Governo e Parlamento farão orelhas moucas à mensagem e às recomendações do PR. De que é que o Senhor Presidente estava à espera…?

Mais uma vez (parece ser seu timbre…), não se comprometeu, quis ficar de bem com Deus e com o diabo… Quando era decisiva uma tomada de posição enérgica e frontal, viril, o PR mostrou pusilanimidade…

O País não precisa de um Presidente “bem comportado”, politicamente correcto, de “não fazer ondas”, e cuja única preocupação parece ser a de procurar estar em sintonia perfeita com o Governo (na esperança de uma próxima reeleição? Ainda estamos tão longe…!)…
Um Presidente assim não serve os interesses dos cidadãos. O nosso País exige um alto magistrado que zele pelos princípios sagrados, que defenda os Portugueses das iniquidades dos governantes, das tolices, dos desmandos, das leis imorais, dos atentados à vida, dos crimes, do aborto.

A história não deixará de acusar este homem que teve nas mãos a possibilidade de evitar a vigência de uma lei iníqua, imoral e assassina, e – por medo(?), táctica (?!), ou sabe-se lá porquê…. – não usou dos poderes que tinha para lhe pôr cobro e salvar da morte tantos bebés que não chegarão a ver a luz do dia!

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