Não soube do mundo
Com a devida vénia, transcrevemos do blogue do nosso querido amigo Professor Felipe Aquino, este belíssimo e comovente poema sobre os bebés que não chegam a conhecer o mundo – vítimas dos abortistas…
SEM NOME (NÃO SOUBE DO MUNDO)
Era tão pequeno, que ninguém o via.
Dormia sereno enquanto crescia.
Sem falar, pedia – porque era semente –
Ver a luz do dia
Como toda a gente…
Não tinha usurpado a sua morada.
Não tinha pecado; não fizera nada.
Foi sacrificado enquanto dormia;
Esterilizado com toda a maestria.
Antes que a tivesse, taparam-lhe a boca;
Tratado, parece, qual bicho na toca,
Não soltou vagido, não teve amanhã;
Não ouviu “Querido”…Não disse “Mamã”…
Não sentiu um beijo; nunca andou ao colo;
Nunca teve o ensejo de pisar o solo;
Pezito descalço, andar hesitante,
Sorrindo no encalço do abraço distante.
Nunca foi à escola, de sacola ao ombro,
nem olhou estrelas com olhos de assombro.
Crianças iguais à que ele seria,
Não brincou com elas, nem soube que havia.
Não roubou maçãs, não ouviu os grilos;
Não apanhou rãs nos charcos tranquilos.
Nunca teve um cão, vadio que fosse,
A lamber-lhe a mão à espera do doce.
Não soube que há rios e ventos e espaços,
E invernos e estios, e mares e sargaços;
E flores e poentes, e peixes e feras
-as hoje viventes e as de antigas eras.
Não soube do mundo: não viu a magia.
Num breve segundo, foi neutralizado
Com toda a maestria, com as alvas batas,
Máscaras de entrudo, técnicas exactas.
Mãos de especialistas
negaram-lhe tudo
( o destino inteiro…)
- porque os abortistas
nasceram primeiro.
Renato de Azevedo
Março 11, 2008 at 11:49 pm
Belo poema!
Retrata de forma dramática e comovedora o horror do aborto!
A forma tão cruel de eliminar uma vida nascente, tão
cheia de esperança de vir ao mundo!
Como podem médicos (?!) dormir descansados, depois
de assassinarem e mutilarem barbaramente, bebés indefesos…?!!!
Março 20, 2008 at 3:14 am
No hablo portugués, pero creo que capté las ideas de este poema. Gracias por compartirlo. Es terrible que le quitemos a un ser la posibilidad de ir a la escuela, de ver las flores, de tener estaciones, etc. Todas aquellas cosas que quienes sí pudimos nacer, podemos disfrutar. Ojalá se detenga esta barbarie.
Saludos. Hilda
Novembro 10, 2008 at 11:01 pm
Caríssimos:
Sinto-me lisonjeado pela transcrição e comentários, para que fui advertido por pessoa amiga.
O poema tem por título “Sem Nome” e tenho a necionalidade portuguesa. Lisonjeado me sentiria igualmente se brasileira…
Cumprimentos.
Renato de Azevedo